O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Évian-les-Bains, na França, para participar — como convidado — da Cúpula do G7, marcada para terça e quarta-feira. Esta é a décima participação do presidente no fórum. A presença em cúpulas multilaterais reforça a estratégia de protagonismo externo, mas também coloca o governo sob escrutínio diante de disputas comerciais que podem resultar em custos econômicos imediatos.
Logo após a chegada, Lula iniciou uma rodada de bilaterais: já se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, e tem encontros confirmados com o anfitrião Emmanuel Macron, o presidente do Egito Abdel Fattah El-Sisi e a primeira‑ministra do Japão, Sanae Takaichi. O Palácio do Planalto não divulgou detalhes das conversas com Parmelin. Há expectativa sobre um encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que ainda não aparece oficialmente na agenda.
O contexto político-econômico que acompanha a visita é pesado: há risco real de aplicação de tarifas pelos Estados Unidos — relatório do USTR apontou intenção de taxar até 25% de parte das importações brasileiras — e a União Europeia anunciou embargo a produtos de origem animal do Brasil, medida que pode entrar em vigor em 3 de setembro se não houver acordo. O documento americano cita, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix como fator de concorrência desleal para empresas dos EUA.
Apesar da especulação sobre um possível encontro com Donald Trump, fontes governamentais dizem que não houve pedido formal de ambos os lados. A participação de Lula no G7, portanto, funciona como teste de capacidade diplomática: há espaço para buscar soluções negociadas, mas a agenda expõe vulnerabilidades comerciais que podem cobrar preço imediato do setor exportador e pressionar a narrativa de recuperação econômica do governo.