Em visita ao Hospital do Amor, em Barretos (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a campanha de descrédito às vacinas promovida durante a pandemia e afirmou que iniciativas que disseminaram desinformação sobre imunização configuram crime. O tom foi de ênfase na responsabilidade pública e na necessidade de ouvir a ciência diante de emergência sanitária.

Lula também elogiou o Sistema Único de Saúde, lembrando que, apesar de críticas desde sua criação em 1988, o SUS foi decisivo na resposta à Covid-19. Segundo o presidente, a estrutura pública de saúde e os profissionais foram fundamentais para a vacinação em massa, e muito do argumento público sobre a eficiência do sistema mudou justamente no período mais crítico da pandemia.

O presidente vinculou a desinformação incentivada pelo governo anterior a consequências concretas: citou o número total de mortos pela Covid-19 e estimativas de que uma parcela expressiva dessas mortes poderia ter sido evitada se houvesse confiança na ciência e adesão às vacinas. Lula também alertou para o efeito da campanha antivacina sobre a hesitação de pais em vacinar crianças, com risco de retorno de doenças antes controladas.

A fala tem efeito político direto: reforça o contraponto entre a gestão atual e a do ex-presidente Jair Bolsonaro, e amplia o debate sobre responsablidade e prestação de contas pela condução da pandemia. Para o governo, o recado serve para consolidar a narrativa de defesa do SUS e da ciência; para a oposição, intensifica o custo político ligado à promoção sistemática de desinformação em saúde pública.