O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar nesta quarta-feira a tramitação da proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1. Em publicação nas redes sociais, ele classificou a mudança como um avanço significativo para milhões de trabalhadores e afirmou que a medida busca não apenas reduzir horas, mas recuperar tempo para descanso, saúde, estudo e convívio familiar. Segundo a mensagem presidencial, a alteração poderia alcançar cerca de 37 milhões de brasileiros.
A iniciativa está prevista na PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos Deputados e enviada ao Senado em 28 de maio. Desde então, o texto não avançou porque aguarda despacho do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), procedimento necessário para iniciar a tramitação no plenário e nas comissões. Enquanto o despacho não ocorre, a proposta permanece sem movimentação formal no Senado.
O apelo presidencial coloca o Senado sob pressão pública para escolher se acolhe a demanda trabalhista e política do governo. Para o Planalto, transformar a declaração em resultado legislativo passa por convencer deputados e senadores, além de navegar possíveis efeitos sobre empresas e turnos de trabalho. Do ponto de vista político, a demora amplia o risco de desgaste por promessa não cumprida, enquanto a aprovação poderia ser convertida em ganho simbólico para a agenda social do governo.
A próxima etapa depende exclusivamente do calendário interno do Senado: despacho, inclusão na pauta e votação. Até lá, sindicatos e parlamentares favoráveis tendem a intensificar a mobilização, e opositores podem explorar o impasse como argumento sobre viabilidade e custos da proposta. O caso coloca em evidência o hiato entre anúncio presidencial e decisão institucional, e testa a capacidade do Congresso de transformar discurso em mudança concreta para trabalhadores.