Em Natal, na reta final para o segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontou o adversário e apontou para um custo político imediato: a promessa de um suposto 'tesouraço' atribuída ao senador Flávio Bolsonaro. Em discurso durante passeata, Lula associou a proposta de cortes anunciada pelo grupo adversário ao risco de extinção de programas que têm impacto direto sobre a vida dos mais pobres e sobre a infraestrutura do Nordeste — e cobrou publicamente explicações sobre onde seriam feitos R$250 bilhões de reduções no Orçamento.
O presidente listou elementos que, segundo ele, estariam na mira dos cortes: Farmácia Popular, institutos federais, programas de bolsas, Minha Casa Minha Vida e, na narrativa do próprio Lula, até a volta de iniciativas como Bolsa Família e o programa Pé-de-Meia. A acusação coloca a oposição numa posição defensiva: se a meta é reduzir despesas na casa dos R$250 bilhões, cabe ao campo contrário detalhar quais gastos seriam atingidos e como pretende preservar proteção social e investimentos regionais sem comprometer a coesão social.
Politicamente, a ofensiva mira o coração eleitoral do Nordeste. Aliados locais, como o candidato ao governo do Rio Grande do Norte apoiado por Lula, reforçaram a ideia de que a região não pode regredir. A presença de governadores nordestinos na mobilização reforça o esforço de transformar a denúncia em um sinal de alerta para eleitores que dependem diretamente dos programas citados. Para a campanha petista, a estratégia é dupla: empurrar a oposição para o ônus de explicar cortes e simultaneamente converter o medo de perda de benefícios em mobilização contra a abstenção.
O episódio acende alerta sobre o cenário fiscal e eleitoral: além de cobrar transparência, a acusação impõe um teste de credibilidade ao discurso de responsabilidade fiscal do campo adversário. Se não houver resposta clara, a narrativa de que os cortes recairiam sobre os mais vulneráveis tende a ampliar o desgaste eleitoral na região. Enquanto isso, Lula voltou a Brasília para se reunir com a equipe econômica e anunciou medidas para autônomos e pequenos empresários — movimentação que busca equilibrar a ofensiva política com ações práticas antes do segundo turno e manter o foco em consequências concretas para a vida dos cidadãos.