O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o Estado deve assumir a tarefa de recuperar territórios tomados por organizações criminosas no Rio de Janeiro. Em discurso no evento de ação integrada de segurança, ele reivindicou que bairros e equipamentos comunitários não podem ficar sob controle de criminosos e defendeu esforços conjuntos entre União, estado e municípios.

Ao lado do ministro da Justiça e Segurança, Wellington Lima e Silva, do diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues e das autoridades locais — o prefeito Eduardo Cavaliere e o governador Ricardo Couto — Lula sinalizou também apoio à proposta de emenda à Constituição que cria um Sistema Único de Segurança Pública, ideia que prevê maior integração entre as forças.

A fala busca responder à sensação de insegurança que persiste na capital fluminense, mas levanta questões políticas e operacionais. A promessa federal amplia as expectativas por resultados concretos e acende alerta sobre a necessidade de recursos, coordenação institucional e autorização do Congresso para avançar com mudanças estruturais. Se a PEC não avançar, o governo corre o risco de ver a iniciativa virar retórica sem impacto prático.

No plano político, a iniciativa exige que o Executivo transforme compromisso em ação mensurável, sob pena de desgaste eleitoral e perda de confiança nas promessas de segurança. A convergência entre as esferas é condição mínima; a disputa sobre competências e a aprovação no Senado serão os litígios decisivos para saber se a proposta passa de sinalização a política pública efetiva.