O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quarta-feira (3/6) que irá ao encontro do G7, marcado para 15 a 17 de junho na França. Em discurso na abertura da reunião interministerial no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo justificou a ida como uma iniciativa para defender o multilateralismo e tentar "colocar ordem" na crise de instituições democráticas que, segundo ele, tem se acentuado no mundo.
A confirmação ocorre num momento de tensão com os Estados Unidos. Em semanas recentes Washington classificou as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais e anunciou a taxação de 25% sobre algumas importações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Governistas não descartam um encontro bilateral com Donald Trump durante o evento, mas o Ministério das Relações Exteriores não confirmou oficialmente esse contato.
Politicamente, a viagem tem dupla leitura. De um lado, serve à narrativa presidencial de protagonismo internacional e defesa do multilateralismo. De outro, expõe o governo a um flanco sensível: lidar publicamente com o presidente de uma potência que adotou medidas com impacto direto sobre comércio e segurança brasileiras. Esse contexto aumenta a necessidade de coordenação entre diplomacia e área econômica para minimizar custos práticos e políticos.
A ida ao G7 será, assim, um teste de capacidade de Brasília para transformar discurso em resultado concreto. Se bem conduzida, pode amortecer o desgaste causado pelas medidas americanas; se mal administrada, tende a reforçar críticas sobre falta de estratégia e a ampliar a pressão política e econômica sobre o Executivo nas próximas semanas.