A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a coreografia do lançamento oficial marcado para este domingo (16/8) no ABC Paulista. Após um episódio que foi interpretado como uma falha de comunicação — quando o presidente criticou a ausência de falas femininas em um ato do PT — a organização do evento passou a reservar espaços para líderes mulheres da federação e da base petista.

O gesto busca corrigir a percepção pública gerada pela autocrítica feita por Lula dias antes, quando pediu que sua esposa falasse em nome das mulheres — comentário que virou foco de comentários políticos. A decisão de incluir discursos de figuras femininas atende a um pedido do Palácio do Planalto e da coordenação de campanha, segundo a agenda do evento, e será marcada no estádio da Vila Euclides, local simbólico da trajetória sindical do presidente.

Há também uma operação logística para dar corpo à convenção: o planalto solicitou a mobilização de militância paulista e a vinda de caravanas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, com o objetivo explícito de deixar o ato o mais 'cheio possível'. A mecânica, ainda que comum em campanhas, traz o risco de transformar correção de imagem em espetáculo de cores e números, o que pode expor uma tentativa de remendar erro simbólico sem enfrentar o problema político em profundidade.

O movimento tem implicações concretas. Pesquisas recentes, como a CNT/MDA, mostram que Lula amplia vantagem entre eleitoras — cenário que a campanha quer preservar — e por isso a presença efetiva de mulheres no palco não é apenas estética, mas estratégica. A redução do desgaste dependente de atos simbólicos passa por combinar visibilidade com protagonismo real, evitando que a operação se limite a arranjos de palco que alimentem narrativas de contradição.