O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quarta que o presidente Lula teria convencido o senador Flávio Bolsonaro a "fazer o L" e votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1. A proposta está em discussão no Plenário do Senado, onde o PL decidiu liberar a bancada e deixar cada parlamentar à vontade no momento do voto.

A declaração expõe uma mudança de postura do senador, que durante a campanha presidencial criticou a iniciativa, classificando-a como "inoportuna" e potencialmente geradora de "desemprego em massa". Para o ministro, o governador político da negociação foi o próprio presidente: a expectativa agora é verificar se a retórica será convertida em voto no instante da apuração — o que, na avaliação de Guimarães, ainda é incerto.

Guimarães afirmou também que a PEC terá votos "de sobra" e a tratou como uma pauta de ganho para os trabalhadores, não apenas como tema partidário. Segundo ele, as exceções e ajustes para categorias específicas deverão ser tratados por meio de lei complementar após a aprovação da emenda. Em relação ao setor empresarial, o ministro descartou qualquer compensação financeira: afirmou que os governos do PT já teriam dado incentivos suficientes ao empresariado.

Do ponto de vista político, a mudança sinalizada por Flávio Bolsonaro e a decisão do PL de liberar a bancada reduzem a previsibilidade da legenda e colocam o senador diante de um teste de coerência entre discurso de campanha e voto. Para o governo, a votação funciona como vitrine de capacidade de articulação; para opositores e setores econômicos, o episódio reforça dúvidas sobre o custo político e econômico da medida, além de deixar claro que a leitura do resultado estará atrelada tanto a números quanto a simbolismos no Congresso.