O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (23/4), durante a Feira Brasil na Mesa, em Planaltina (DF), que determinou ao ministro da Justiça a convocação de delegados e agentes que estariam fora da Polícia Federal e 'fingindo que estão trabalhando' para integrar as ações contra o crime organizado. A fala veio junto ao anúncio da nomeação de 1.000 aprovados em concurso para a corporação.

Ao ordenar à pasta liderada por Wellington César Lima e Silva que faça a chamada, o presidente não detalhou critérios, prazos ou as medidas administrativas e disciplinares previstas. A afirmação pública sobre servidores 'fora da PF' e a convocação formal podem gerar atritos internos, levantar questionamentos sobre transparência no processo de retorno e abrir debate sobre competência e autonomia técnica da corporação.

No plano político, a combinação entre reforço de efetivo e a cobrança direta do Planalto sinaliza que o governo busca mostrar resolução no tema da segurança, mas carece de clareza operacional. Sem informação sobre como serão identificados os alvos da convocação ou como se dará a integração dos novos concursados, a iniciativa corre o risco de provocar resistência institucional e exigirá explicações para evitar percepção de intervenção política na polícia.