Na abertura da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o avanço das plataformas de apostas on-line e afirmou que o Brasil não aceitará modelos de negócio que transformam dependência em fonte de receita. Ao situar o tema entre os efeitos sociais das novas tecnologias, Lula associou a rápida expansão das 'bets' ao endividamento e à deterioração da vida de famílias brasileiras.

O presidente ampliou a fala para uma agenda mais ampla de regulação: pediu controle sobre as grandes plataformas digitais e a inteligência artificial, e alertou para a concentração de poder nas mãos de um pequeno grupo empresarial — o que, segundo ele, tende a operar sem regras e sem transparência. A crítica soa como cobrança direta por mecanismos regulatórios mais firmes no Brasil e internacionalmente.

Lula também defendeu o Pix como instrumento de inclusão financeira e rejeitou pressões para sua privatização, lembrando que o sistema virou ponto de atrito com Washington. A disputa aparece no histórico de investigações do USTR e nas críticas do governo dos EUA sobre a operação do sistema brasileiro, cenário que torna a defesa pública do Pix também uma manobra diplomática e econômica.

Do ponto de vista político, o discurso cumpre dupla função: sinaliza ao eleitorado preocupações sociais com a economia digital e acende alerta sobre a necessidade de legislar temas sensíveis (apostas, big techs, IA). Para o governo, ampliar essa agenda implica pressão sobre Congresso e reguladores e risco de embate com setores privados e parceiros externos — um nó que pode complicar negociações comerciais e a narrativa governista nos próximos meses.