O presidente afirmou nesta quarta que foi surpreendido por decisões recentes dos Estados Unidos apesar das iniciativas brasileiras para ampliar o diálogo. Segundo ele, levou pessoalmente quatro documentos ao presidente americano sobre temas considerados estratégicos para a relação bilateral.

Os materiais, conforme relato do chefe do Executivo, tratavam de combate ao narcotráfico e ao crime organizado, de agenda comercial, do acordo negociado por Brasil e Turquia com o Irã em 2010 sobre enriquecimento de urânio, e de questões ligadas a terras raras e minerais críticos. A entrega pessoal, disse, tinha o objetivo de garantir que o material fosse analisado.

Lula contou ter saído do encontro convencido de que se abria uma nova etapa nas relações com Washington, mas admitiu ter sido pego de surpresa pelas decisões subsequentes dos EUA. Na reunião ministerial, criticou compatriotas que estariam incentivando medidas contra o Brasil por cálculo eleitoral, afirmando que a postura prejudica a população e é de deslealdade ao país.

A afirmação tem impacto político imediato: ao associar pedidos de punição a interesses eleitorais internos, o presidente busca desgastar eventuais articuladores desse movimento, mas também expõe uma fricção na interlocução externa que complica a narrativa de reaproximação. O episódio pode aumentar a pressão sobre a estratégia diplomática do governo e elevar o custo político em ano pré-eleitoral.

Lula não citou nomes ao condenar a postura, o que amplia a incerteza sobre quem estaria por trás das queixas a Washington. Resta observar a reação de aliados, adversários e do próprio governo dos EUA, além do eventual efeito sobre setores econômicos sensíveis à relação bilateral.