O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente a atuação da Enel Brasil nesta sexta-feira, durante cerimônia em Brasília que marcou a assinatura de contratos de modernização e expansão do sistema elétrico. Segundo o presidente, a empresa "não cumpriu nada do que prometeu", declaração proferida sem apresentação de detalhes técnicos no evento.
Lula disse ter tratado do assunto em viagem à Itália, ao lado do ministro Alexandre Silveira, durante conversas com a primeira-ministra italiana e representantes da Enel. A companhia atua em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará e foi alvo de processos administrativos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano passado, segundo registros públicos.
Os contratos assinados na cerimônia não incluem a Enel e devem viabilizar projetos que, na agenda oficial, podem somar investimentos na ordem de dezenas de bilhões até 2030. No mesmo evento, o presidente lançou o Programa Luz do Povo, destinado a levar energia a comunidades rurais e isoladas e ressaltou o impacto social da eletrificação em relatos sobre beneficiários.
A crítica pública, em um ato de governo que também celebra investimentos, tem implicações políticas e regulatórias: aponta para desgaste na relação com uma grande concessionária, reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa e abre espaço para discussões sobre cumprimento de contratos e garantias para consumidores e investidores. A declaração de Lula tende a pressionar tanto o setor regulatório quanto o próprio mercado a demonstrar respostas concretas.