Em discurso neste 27 de junho, no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, classificando o episódio como vergonhoso e associando-o a uma tentativa de evitar a Justiça. Lula, que comemorou 81 anos com apoiadores no local, recordou que, quando foi alvo de investigação em 2018, optou por se apresentar às autoridades e entregar seu passaporte.

A saída de Flávio ocorreu menos de 48 horas após a derrota nas urnas, segundo relatos e checagens da imprensa. Uma publicação do ex-secretário de Turismo do México Simón Levy indicou que o desembarque teria contado com articulação externa, e a agência Reuters também reportou a informação. O senador não chegou a entregar os passaportes à Polícia Federal depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, conforme apurado.

O episódio ganha relevo porque Flávio é alvo de inquéritos que investigam suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse. A conexão política também interessa: processos que envolveram o ex-juiz Sergio Moro — hoje governador eleito pelo PL, partido aliado a Flávio — foram anulados pelo STF em relação a Lula no passado, cenário que ajuda a polarizar interpretações sobre a ação da Justiça.

Do ponto de vista político e institucional, a declaração presidencial amplia desgaste sobre o clã Bolsonaro e acende alerta sobre a capacidade das autoridades em controlar fluxos de saída do país diante de investigações. A crítica de Lula também pressiona a oposição e levanta perguntas sobre eventuais lacunas na atuação da Polícia Federal e do próprio Judiciário para assegurar o cumprimento de decisões. O episódio tende a alimentar a narrativa de conflito entre lideranças políticas e instituições, exigindo respostas claras das autoridades responsáveis.