O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sexta-feira (31) a condução da área da saúde pelo governo de Jair Bolsonaro (2019‑2022) durante visita ao Hospital Universitário do Ceará (HUC). Ao lembrar o período da pandemia, marcado por cerca de 700 mil mortes, Lula disse que o setor só voltou a ganhar "força" após o enfrentamento da crise e a adoção das vacinas.

No pronunciamento, o chefe do Executivo citou declarações e posturas de Bolsonaro que, segundo ele, minaram a confiança da população nas vacinas e na resposta pública à covid‑19. Lula afirmou que foi necessário um "sacrifício" para recuperar a confiança social na imunização e ressaltou que as vacinas salvaram vidas, recordando episódios dramáticos como a falta de oxigênio em Manaus, tema que permeou críticas ao governo anterior.

As declarações ocorreram pouco antes da participação do presidente na convenção do PT em Fortaleza, que vai oficializar a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas e lançar a campanha à reeleição do senador Cid Gomes. No estado, a disputa ao governo aparece dividida entre Elmano e o ex‑ministro Ciro Gomes, irmão de Cid, que lideram as pesquisas locais, reforçando o caráter eleitoral do evento.

Politicamente, a fala de Lula funciona como tentativa de consolidar o legado petista em saúde e explorar a agenda de gestão como contraponto ao passado recente. Ao mesmo tempo, projeta um recado direto à oposição: a narrativa sobre vacinação e recuperação do sistema de saúde é peça central na construção de capital político às vésperas de campanhas estaduais e com olhos na disputa nacional.