O governo brasileiro reagiu com crítica à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. O presidente classificou a medida como imprudente e disse que ela desrespeita a tradição de relações bilaterais que, na visão de Brasília, remonta a dois séculos.
Ao comentar o episódio em entrevista a três podcasts, o chefe do Executivo questionou a justificativa americana, que associou a revogação à demora brasileira em conceder o agrément ao indicado dos EUA para a embaixada em Brasília. Lula lembrou que a vaga norte-americana ficou vaga por cerca de um ano e meio e contestou a legitimidade dos EUA para cobrar rapidez do Brasil.
O Departamento de Estado informou que, na prática, a embaixadora poderá permanecer nos EUA, mas sem visto diplomático válido, e que a situação poderia ser revertida caso o agrément do nome indicado pelos americanos seja aprovado. Em Brasília, o Itamaraty disse não ter sido previamente informado e passou a interpretar a medida como uma forma de pressão para acelerar a nomeação.
Fontes diplomáticas ouvidas nos bastidores avaliaram que a ação americana rompeu práticas usuais da diplomacia ao condicionar o status da chefe da missão brasileira a uma decisão interna do governo brasileiro. A avaliação aponta risco de desgaste nas agendas bilaterais e de aumento da cautela em negociações sensíveis entre os dois países.
Além do impacto direto nas relações exteriores, a decisão expõe um dilema político: aceitar pressões externas sobre o calendário de nomeações ou preservar prerrogativas soberanas e sofrer retaliações. Lula deixou claro que não pretende receber novos embaixadores antes das eleições de outubro, sinalizando que o governo não mudará o ritmo diplomático em resposta à pressão americana.