No QG da campanha de Lula, em Brasília, o coordenador Camilo Santana reagiu à proposta apresentada pelo núcleo econômico ligado a Flávio Bolsonaro para o Bolsa Família. Santana afirmou que a ideia de estabelecer um prazo de transição de dois anos até o desligamento do benefício revela de onde viria parte dos R$ 200 bilhões anunciados como corte, e classificou a medida como um ataque à proteção social.

A explicação veio da coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques: segundo ela, o beneficiário que conseguisse emprego ou abrisse um negócio teria um período de até dois anos de transição; após esse intervalo, ocorreria o desligamento do programa. O próprio presidenciável ainda não detalhou publicamente como seriam operacionalizados os critérios, as salvaguardas e os mecanismos de acompanhamento.

Politicamente, a proposta acende alerta e amplia desgaste para a campanha do PL. A combinação entre discurso de ajuste fiscal e cortes em programas sociais pode reduzir apelo junto a eleitores de baixa renda e dar material à oposição para associar a alternativa a perda de direitos. Sem cronograma e regras claras, a medida complica a narrativa governista sobre conciliar responsabilidade fiscal e proteção aos vulneráveis.

No plano prático permanecem dúvidas sobre quem será considerado apto à transição, como será verificada a ocupação e que tipo de suporte haverá para recolocação. Na esfera política, o episódio pressiona Flávio a detalhar alternativas e compensações; até que isso ocorra, o tema tende a ocupar espaço central no debate e fortalece o ataque opositor sobre cortes sociais.