Em entrevista em Nova York à jornalista Christiane Amanpour, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos a uma lista de exportações brasileiras, que podem chegar a 37,5%. O chefe do Planalto classificou as justificativas americanas como infundadas e disse que o padrão adotado pela Casa Branca reproduz a lógica do mais forte, em tom de reprovação ao método de governo do republicano.

O episódio ocorre um dia antes de um possível encontro entre Lula e Donald Trump nos corredores da Assembleia-Geral da ONU. Na conversa com a emissora norte-americana, o presidente enfatizou que o Brasil não ficará inerte: além de apontar a busca por novos parceiros comerciais, condicionou a aplicação da chamada lei de reciprocidade a uma resposta negativa dos EUA nas negociações.

Politicamente, as declarações ampliam a tensão nas relações bilaterais e acendem alerta para a pauta comercial — sobretudo porque chegam a poucas horas de um contato direto entre os dois líderes. Para o governo, o desafio é conciliar a retórica de defesa dos interesses nacionais com a necessidade prática de negociar tarifas que afetam exportadores brasileiros.

No plano doméstico, Lula aproveitou a entrevista para reforçar a narrativa eleitoral — definindo a disputa marcada para 4 de outubro como um embate entre democracia e retrocesso — e rejeitou qualquer intervenção externa no processo. As falas colocam o Itamaraty e a equipe econômica sob pressão para alinhar resposta diplomática e estratégia comercial sem comprometer canais de diálogo com Washington.