O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira a divulgação seletiva de informações sigilosas durante o período eleitoral, classificando os vazamentos como orientados por um viés político. Para o chefe do Executivo, a circulação de dados sensíveis em momentos de campanha distorce a disputa e não pode ser tratada como prática corriqueira.
Lula afirmou que, quando um magistrado detém conteúdo confidencial, cabe a ele impedir sua exposição pública com efeitos eleitorais. O presidente elogiou a iniciativa do ministro Edson Fachin para tentar conter a crise no Supremo Tribunal Federal e defendeu que a Corte faça uma apuração ampla: “apurar tudo e divulgar tudo, doa quem doer”, nas palavras que utilizou para insistir na transparência institucional.
Além do esforço para restaurar a credibilidade do STF, o presidente propôs uma reforma do Poder Judiciário e abriu o debate sobre a fixação de mandatos para ministros. Ao citar a necessidade de regras e limites, Lula sinalizou que a discussão pública sobre composição e conduta da Corte deve ganhar prioridade, o que automaticamente amplia a pressão sobre o tribunal e levanta dúvidas sobre o desenho atual de governança judicial.
Em tom de campanha, o presidente também minimizou o impacto das pesquisas sobre a condução da campanha — disse vê‑las como referência — e voltou a defender sua política fiscal e o aumento real do salário mínimo. Lula afirmou ainda que a inflação de alimentos caiu no seu governo em comparação ao período anterior, usando os números como argumento de gestão econômica. O conjunto de posições marca uma tentativa de reduzir o custo político da crise no Judiciário e de compor narrativa própria para 2026.