O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitou entrevista à TV Record para criticar a presença de advogados ligados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal. As observações foram feitas poucas horas após a sessão do STF ser interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Sem citar nomes, Lula afirmou que não é desejável que magistrados mantenham vínculos que possam gerar suspeita sobre julgamentos. No mesmo contexto, as falas podem ser associadas ao caso em que a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, defendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, e à troca de mensagens envolvendo o advogado Rodrigo Fux, filho de Luís Fux — fatos já divulgados pela imprensa.

O presidente também defendeu mudanças estruturais no Judiciário, propondo tempo de mandato e critérios mais rígidos para nomeações, e advertiu contra enriquecimento decorrente do exercício da função. A agenda de reforma já tem expressão parlamentar: o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) protocolou uma PEC que institui mandatos de 10 anos para ministros de cortes superiores.

Politicamente, as declarações de Lula acendem alerta sobre a relação entre Executivo e Judiciário e ampliam o debate público sobre transparência e conflito de interesses na Corte. Para o governo, a iniciativa transforma um tema institucional em desafio de comunicação e exigirá articulação com aliados e reação a críticas que venham da oposição e do próprio meio jurídico.