O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta quarta-feira (23/9) no Palácio da Alvorada com a equipe econômica para definir a proposta do governo sobre as apostas on-line. Participaram o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além dos ministros Miriam Belchior (Casa Civil) e Bruno Moretti (Planejamento). A decisão será tomada pelo presidente a partir das alternativas apresentadas pela equipe técnica.
O Executivo trabalha basicamente com duas opções: o banimento total das plataformas de apostas on-line ou uma solução de restrição parcial da atividade. Fontes ouvidas no Planalto dizem que a equipe econômica detalhou cenários e impactos, mas a escolha final buscará conciliar a reação social favorável a medidas duras com a necessidade de preservar estabilidade jurídica, financeira e operacional do país.
A discussão ganhou fôlego político porque o governo pretende definir posição antes do primeiro turno e inserir o tema na comunicação eleitoral. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta, mostra que 75% da população defende a proibição e 60% vê prejuízos sociais nas apostas. Ao mesmo tempo, 36% dos entrevistados atribuem ao governo atual a principal responsabilidade pela expansão do setor — sinal que acende alerta para o Planalto e complica a narrativa oficial sobre gestão do tema.
Segundo auxiliares, não está descartado anúncio ainda hoje, possivelmente à noite no Rio de Janeiro, durante evento com artistas. A decisão tem efeitos concretos: além de responder ao clamor popular, alterará o quadro regulatório e poderá provocar reação do mercado que já investe no segmento. Para o governo, o desafio será transformar uma medida com apelo popular em política pública consistente, sem gerar efeitos colaterais econômicos e jurídicos que ampliem o desgaste político.