Em entrevista ao programa Sem Censura, na TV Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende endurecer o controle sobre as plataformas de apostas esportivas e qualificou o vício em jogos como 'uma doença'. O presidente disse ser favorável ao encerramento de operações que, em sua avaliação, não prestam serviço de utilidade pública, e anunciou que o governo estuda medidas regulatórias e de fiscalização a serem reforçadas até o fim do ano.

Lula explicou por que sancionou, em 2023, a regulamentação das apostas: a decisão teria sido condicionada ao funcionamento das instituições e à realidade parlamentar do Executivo. 'Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho nove senadores em 81', afirmou, reconhecendo que um veto presidencial poderia ser derrubado. A mensagem deixa claro que qualquer avanço nas restrições dependerá de negociação política com bancadas sensíveis ao setor.

O presidente destacou ainda o impacto social das bets, especialmente entre jovens de baixa renda nas periferias, e criticou o volume de propaganda do setor. Comparou a expansão das apostas digitais à permanência do jogo do bicho, argumentando que a digitalização levou o 'cassino' para dentro dos celulares e das residências, tornando o controle mais difícil e ampliando o risco de dependência.

Na esfera administrativa, o governo criou uma secretaria especial no Ministério da Fazenda para acompanhar o tema e promete reforçar a fiscalização. Politicamente, a sinalização de endurecimento, limitada pela fraqueza parlamentar, tende a gerar pressão sobre o Congresso, acender o debate sobre publicidade e patrocínios ao futebol e forçar balanços entre liberdade individual e proteção social.