Em ato de campanha realizado em Ceilândia, no Distrito Federal, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição que elimina a escala de trabalho 6x1, proposta em debate no Senado. Ao colocar a redução da jornada como eixo da mobilização, Lula busca transformar uma pauta trabalhista em instrumento de campanha para o segundo turno, prometendo descanso semanal ampliado e buscando ressonância entre trabalhadores com jornada desgastante.
No discurso, o presidente também intensificou a ofensiva contra setores que tem chamado de 'elite financeira'. Sem citar novos nomes além dos já mencionados publicamente, ele repetiu ataques a figuras ligadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Vorcaro, além de responsabilizar adversários pela condução da pandemia. O tom combina denúncia de elites, lembrança das vítimas da covid-19 e apelo moral, numa tentativa de consolidar a narrativa de que a eleição é uma escolha entre dois projetos de país.
Ao enfatizar a 'soberania' e contrapô-la a uma suposta afinidade de adversários com interesses externos, Lula procura ampliar o eleitorado além da militância tradicional. A estratégia tem dupla consequência: reforça a motivação da base e acende alerta entre eleitores de centro, que podem interpretar a retórica como aumento da polarização. Para o governo, a defesa pública da PEC e a exposição de críticas à elite financeira também servem para pressionar o Congresso sobre propostas trabalhistas sensíveis.
No plano tático, a campanha combina essa agenda com disputa pela visibilidade: o candidato anunciou presença em novo ato em Natal e prometeu intensificar debates na TV e na internet, numa tentativa de dominar a narrativa pública — afirmou brincando que vai virar 'rei da selfie'. A presença visível de aliados como a primeira-dama Janja e o candidato ao governo do DF, Leandro Grass, sinaliza que o campo governista tentará transformar mobilizações locais em alavanca para ampliar apoio regional.
Politicamente, o discurso junta promessa concreta — a alteração na jornada — com símbolos nacionais e ataques à elite, o que complica a narrativa oficial de conciliação e acende disputa por temas que mexem diretamente no cotidiano do trabalhador. Resta ver se a combinação de pauta social e retórica nacionalista terá força suficiente para ampliar a frente de apoio sem afastar eleitores moderados que a campanha ainda precisa conquistar.