O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quinta-feira, em Salvador, ao trecho de um relatório comercial dos Estados Unidos que cita o Pix como possível barreira para empresas americanas. No evento em que participou de entregas do PAC e visitou obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o chefe do Executivo afirmou que o sistema pertence ao Brasil e deve ser aprimorado para atender às necessidades da população.

O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional dos EUA, divulgado em 31 de março, registra preocupações de empresas americanas sobre suposto tratamento preferencial concedido pelo Banco Central ao Pix. O documento cita que o BC criou, detém, opera e regula a plataforma, e aponta exigência de uso do Pix por instituições com mais de 500 mil contas como fator que poderia prejudicar fornecedores estrangeiros de serviços de pagamento eletrônico.

Lula afirmou que o Pix é um sistema brasileiro e que será aprimorado para servir melhor a população.

A menção ao Pix integra uma lista mais ampla de temas que, segundo Washington, podem representar obstáculos ao comércio com o Brasil, ao lado de questões como mineração ilegal e leis trabalhistas. A preocupação americana remete a episódios anteriores: nos últimos anos houve investigação contra práticas comerciais brasileiras, e especulou‑se sobre favorecimento do sistema do BC em detrimento de alternativas como o WhatsApp Pay, da Meta.

Do ponto de vista político, o episódio projeta dois vetores de risco para o governo: internamente, a defesa do Pix reforça uma narrativa de soberania tecnológica e ganho de inclusão; externamente, aumenta a tensão com empresas e autoridades americanas que cobram abertura de mercado. O governo terá de explicar as bases regulatórias do BC e demonstrar que a plataforma não constitui barreira discriminatória se quiser mitigar pressão diplomática e comercial.

Além do pronunciamento sobre o Pix, Lula vistoriou o trecho em teste do VLT em Salvador, obra com R$ 1,1 bilhão em investimentos federais, e participou do último ato do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, que deixa o cargo para disputar o Senado. A disputa sobre o Pix, porém, tende a continuar como tema central nas relações comerciais e regulatórias entre Brasil e EUA.

O relatório americano expressou preocupação com possível tratamento preferencial do Banco Central ao Pix, que poderia desfavorecer fornecedores estrangeiros.