Em discurso de abertura da Hannover Messe, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu os imigrantes — em especial os refugiados de zonas de conflito — e remeteu a história do país como obra de fluxos migratórios. A intervenção buscou imprimir um tom humanitário na presença brasileira na maior feira industrial do mundo.
Lula criticou a persistência das guerras e questionou a atuação do Conselho de Segurança da ONU, citando lideranças como Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jiping, Emmanuel Macron e o primeiro‑ministro do Reino Unido. Sustentou que parte dos recursos aplicados em conflitos poderia ser destinada a acolher milhões de pessoas deslocadas que buscam recomeço em outros países.
Ao justificar sua posição, o presidente fez um panorama histórico da imigração no Brasil: lembrou a chegada dos portugueses em 1500, a escravidão de africanos a partir do século XVII — apontando o número de cerca de cinco milhões de pessoas submetidas por séculos — e a vinda posterior de alemães, italianos, espanhóis, japoneses e árabes. Argumentou que essas contribuições ajudaram a formar a identidade e serviços do país.
Do ponto de vista político, a mensagem reforça o eixo humanitário da política externa do governo, mas ao apontar diretamente grandes potências e cobrar o Conselho de Segurança a fala acende alerta para possíveis desconfortos diplomáticos. Internamente, a crítica também levanta questão prática sobre a capacidade administrativa e fiscal do Estado brasileiro para acolher novos fluxos migratórios, tema que exige articulação concreta além do gesto retórico.