A poucos dias de viajar para a cúpula do G7 na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a 7ª Reunião Plenária do Conselhão, em Brasília, para reafirmar um discurso de defesa da soberania e criticar medidas anunciadas pelos Estados Unidos que atingiriam produtos brasileiros. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros, o presidente também celebrou o reconhecimento do Pix como marca de grande renome pelo INPI, em ato simbólico com a placa “O Pix é do Brasil”.

No núcleo das críticas, Lula reagiu à sugestão do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O presidente condicionou a aceitação de qualquer imposição à apresentação de estudos sobre a realidade trabalhista americana e afirmou que medidas unilaterais que prejudicam trabalhadores brasileiros não são aceitáveis por questão de dignidade e respeito aos empregos gerados no país.

O presidente questionou ainda as conclusões do relatório americano que liga o Brasil ao desmatamento, afirmando que o país reduziu o desmatamento em todos os biomas nos últimos três anos e meio e exigindo reconhecimento pelos avanços ambientais. A fala antecipou um tom de enfrentamento nas discussões internacionais, e uma fonte do Planalto disse que Lula embarca neste domingo para a França, sem reunião agendada com o presidente americano.

Além do contencioso externo, o discurso incluiu um balanço econômico com foco distributivo: Lula defendeu que o crescimento precisa ser acompanhado por políticas que alcancem os mais pobres e prometeu decretos de regularização de terras para mulheres quilombolas, lembrando que 48% das terras quilombolas registradas foram obtidas no governo atual. Politicamente, a combinação de embate com Washington e a ênfase em inclusão social reforça a narrativa do governo, mas também acende alerta: a ameaça de tarifas pode complicar negociações comerciais e expor o Executivo à necessidade de gerir custos econômicos e pressões diplomáticas no curto prazo.