A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai formalizar uma queixa contra a Meta junto a missões de observação eleitoral e a organizações que atuam pela liberdade de expressão. Segundo a coligação, o dossiê reúne mais de 2,7 mil relatos de usuários e uma série de episódios — entre eles suspensão temporária de conta de anúncios, queda abrupta nas contagens de visualizações e bloqueio do impulsionamento de publicações no Instagram por 24 horas — que, na avaliação da equipe, indicam uma atuação da plataforma capaz de afetar a disputa eleitoral.
A campanha afirma que a Meta justificou os problemas como falhas técnicas que teriam atingido outros anunciantes e mercados, mas reclama da ausência de comprovação e de transparência sobre eventuais impactos em concorrentes. Os episódios citados incluem também diferenças de funcionamento em ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de busca do WhatsApp. Como dado de comparação, a nota menciona que postagens do senador Flávio Bolsonaro registraram quase o triplo de engajamento em relação às do presidente, apesar de ter 17% menos seguidores, número cuja metodologia e período não foram detalhados pela coligação.
O encaminhamento do material a observadores internacionais e a entidades de defesa de direitos digitais aponta para uma tentativa da campanha de transformar uma disputa tecnológica em pauta diplomática e institucional. A denúncia busca, segundo o documento, dar visibilidade ao poder concentrado de plataformas transnacionais sobre infraestrutura de comunicação e ao potencial desses controles para interferir na circulação de informação durante uma eleição. Em paralelo, a iniciativa reforça uma via de pressão pública sobre a Meta para que divulgue dados e critérios de moderação e de funcionamento de algoritmos aplicados a conteúdos políticos.
Do ponto de vista político, a movimentação acende alerta sobre dois efeitos diretos: amplia desgaste sobre a governança das plataformas e complica a narrativa oficial de normalidade no ambiente digital durante a campanha. Caso organismos internacionais ou o próprio TSE decidam pedir explicações mais detalhadas à Meta, a empresa pode sofrer pressão por maior transparência; para os atores nacionais, o episódio já altera o cenário de disputa, ao transformar falhas técnicas em questão de soberania e supervisão. Resta observar como autoridades e concorrentes reagirão — se com pedidos formais de auditoria, sugestões de regulamentação ou contestações judiciais — e que resposta concreta a Meta apresentará às alegações.