Em caminhada de campanha por São Gonçalo (RJ), o presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mirar o eleitorado mais velho e questionou a hipótese de abstenção entre eleitores de 70 anos ou mais. O gesto, além de um apelo à participação, procurou transformar a presença física do candidato — já na faixa etária avançada — em argumento para estimular a ida às urnas no dia 4 de outubro.
O aceno ocorre em contexto eleitoral sensível: pesquisa Quaest, divulgada em 22 de setembro, aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no recorte de 60 anos ou mais — 45% para Lula e 39% para Flávio, com margem de erro de cinco pontos. No levantamento nacional (2.004 entrevistas, realizadas entre 17 e 20 de setembro) o cenário também aparece próximo, e um eventual segundo turno mostra empate técnico entre os dois candidatos.
Para a campanha petista, a mensagem busca recuperar um segmento em que o voto é facultativo (70 anos ou mais) e cuja abstenção pode reduzir vantagem demográfica ou permitir ganhos do adversário. Para a oposição, o recorte revela espaço de pressão. Em termos práticos, os números acendem alerta sobre a necessidade de campanhas de mobilização, logística de transporte e discurso específico para idosos — elementos que podem virar diferencial em um pleito apertado.
Os dados devem ser vistos como retrato de momento, não previsão definitiva. Ainda assim, a combinação entre empate técnico e voto facultativo entre os mais velhos complica a narrativa de conforto eleitoral e impõe prioridade operacional e política: converter presença de palco em comparecimento real às urnas.