Durante o 4º bloco do debate da TV Globo na noite de sexta (23/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou o senador Flávio Bolsonaro a levar suas contas bancárias à Justiça no sábado (24/10). Lula afirmou que seus documentos e os de familiares já foram entregues à Justiça Eleitoral e cobrou que Flávio e pessoas próximas façam o mesmo, em resposta a acusações sobre ocultação de patrimônio.

A réplica de Flávio centralizou outra exigência: ele pediu que Lula retirasse o sigilo de grande parte dos gastos do cartão corporativo presidencial — citando dados de transparência que apontam despesas acumuladas pelo governo — e condicionou a aceitação do desafio à abertura de informações de um ex-chefe de gabinete. A campanha de Flávio, segundo relatos, rejeitou a proposta de Lula sobre quebras de sigilo.

O confronto retoma pontos do debate anterior, em 18 de outubro, e transformou o episódio em disputa direta sobre transparência e narrativa de campanha. Flávio também voltou a questionar o enriquecimento do filho de Lula, citando investigações policiais que o mencionam; Lula, por sua vez, insistiu em esclarecer como o senador adquiriu imóvel de alto valor, diante das rendas declaradas por ambos.

Politicamente, o episódio acende alerta para ambos os lados: para o governo, reabre o foco sobre uso de recursos públicos e sigilos que o adversário explora como argumento de desgaste; para Flávio, a exigência de mostrar a origem de patrimônio pessoal e de sócios aumenta a pressão sobre sua narrativa de origem do patrimônio. O dueto de provocações tende a complicar a agenda de conteúdo da campanha nas próximas horas, obrigando as equipes a uma resposta rápida e documentada.