O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo, em São Bernardo do Campo, que a mobilização observada no segundo turno foi atípica ao longo de sua carreira política. Após votar acompanhado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de aliados, Lula relacionou o volume de apoio popular à sua permanência na vida pública e à possibilidade de disputar novo mandato.

Em entrevista à imprensa, o petista relembrou cinco décadas de atividade política e disse nunca ter visto um engajamento igual nas campanhas desde 1989. Ele citou manifestações em vários estados — entre eles Minas, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Ceará, Rio e São Paulo — e destacou o papel do eleitorado no impulso de sua trajetória. Na comitiva, estavam ex-ministros e nomes do campo aliado, como Alexandre Padilha, Luiz Marinho, Fernando Haddad, além de figurões que circularam pela campanha.

Do ponto de vista político, a ênfase de Lula na mobilização cumpre dupla função: projetar legitimidade popular e transformar presença de rua em narrativa de tração eleitoral. O recado também visa produzir efeito psicológico sobre adversários e ampliar a sensação de consolidação da base, ao mesmo tempo em que reforça a importância do comparecimento às urnas na reta final. A presença de lideranças de diferentes campos indica esforço de costura política para reduzir fissuras internas.

Após o ato, o presidente voltou a São Paulo onde deverá acompanhar a apuração no hotel InterContinental, ao lado de familiares e aliados. A declaração sobre o caráter extraordinário da mobilização funciona hoje como retrato do dia — e como tentativa explícita de traduzir presença nas ruas em diferencial eleitoral, caso os votos confirmem a tendência apontada pela campanha.