O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta terça-feira na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde reafirmou a aposta brasileira no multilateralismo, na negociação como caminho para solução de disputas e no respeito ao direito internacional humanitário. No discurso de abertura da sessão de alto nível, o presidente também reiterou a posição brasileira sobre a não interferência em assuntos internos de outros Estados.

A reforma do Conselho de Segurança foi um dos eixos do pronunciamento. Há anos o Brasil defende a atualização da composição e do funcionamento do órgão, postura que o governo voltou a apresentar como resposta à dificuldade da ONU em reagir a múltiplos conflitos atuais. O tema reforça o esforço brasileiro por maior protagonismo diplomático e aproximações com fóruns como BRICS, G4 e outras coalizões multilaterais.

Além do discurso, a delegação brasileira manteve agendas bilaterais e encontros multilaterais: o presidente teve audiência com o secretário-geral António Guterres e conversas com outros chefes de Estado; o Itamaraty permanecerá em Nova York para uma sequência de reuniões ministeriais — entre elas a Aliança Global contra a Fome e a ZOPACAS, que o país preside. A presença ativa busca traduzir retórica em influência prática nas pautas de segurança alimentar, paz e cooperação regional.

Politicamente, o discurso serve a dois propósitos: projetar o Brasil como mediador e renovar a imagem internacional do governo, ao mesmo tempo em que expõe um dilema concreto — reivindicar reforma e eficácia da ONU num cenário em que a instituição demonstra limites. A postura de defesa da não interferência e da negociação pode atrair apoio diplomático, mas também gerar críticas domésticas sobre postura em crises humanitárias; se as promessas se transformarão em avanços concretos na reforma do Conselho é uma incógnita.