O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta quinta-feira como “caso de polícia” os vínculos revelados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal em desdobramentos da crise do Banco Master. A declaração foi dada à imprensa durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari (BA), e serve para marcar distância do governo em relação ao escândalo, ao mesmo tempo em que evita interferir no trabalho das autoridades.

A reportagem do The Intercept Brasil revelou que Flávio teria articulado repasses de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens de áudio e comprovantes bancários, segundo a publicação, mostram negociações e pagamentos entre fevereiro e maio de 2025, e conversas até novembro do ano passado, período crítico para o banco que acabou liquidação pelo Banco Central.

Vorcaro está preso na Superintendência da PF em Brasília e, conforme a reportagem, negocia delação premiada. Deputados federais da base governista já apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal para apurar eventual ilegalidade nas transações. Flávio, que inicialmente negou, admitiu depois ter pedido o recurso e afirmou tratar-se de assunto privado e sem uso de dinheiro público.

O episódio acende alerta para a oposição e para a campanha de 2026: envolve um senador com projeção nacional e traz à tona vínculos com operadores financeiros investigados. Mesmo sem imputar responsabilidades além do que aponta a apuração jornalística, o caso tende a ampliar o escrutínio sobre a imagem pública de Flávio Bolsonaro e a exigir respostas formais das autoridades que conduzem as investigações.