Durante visita ao Centro de Radioterapia do Hospital Federal de Andaraí, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a chamada elite brasileira. Ao lembrar declaração do ex-senador Francisco Dornelles, afirmou que “a elite nasce de costas pro morro e de frente pra praia”, frase que busca sublinhar a divisão social no país.
No mesmo discurso, Lula direcionou críticas ao sistema financeiro por critérios rígidos na concessão de crédito a trabalhadores informais e motoristas de aplicativos. A fala ocorre um dia depois do lançamento do programa Move Brasil, que facilita financiamento de motos e bicicletas para entregadores com taxas reduzidas — ação concreta que acompanha a retórica, mas que também aumenta a pressão sobre bancos e agentes financeiros.
A agenda no Rio contou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, ocasião em que o governo elogiou metas alcançadas na eliminação da transmissão vertical da hepatite B. Lula pediu que Tedros leve ao presidente dos EUA uma defesa do modelo público de saúde brasileiro, aproveitando o momento para exaltar o SUS.
Do ponto de vista político, a combinação de discurso identitário e medidas dirigidas a públicos vulneráveis reforça a narrativa social do governo e ajuda a consolidar sua base. Ao mesmo tempo, a crítica direta ao setor financeiro acende alerta para a relação com o mercado e com setores técnicos que podem cobrar resultados rápidos; a aposta é contestar desigualdades sem perder capacidade de diálogo com agentes econômicos.