Em agenda nesta sexta-feira (28/8) em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o orçamento de 2027 será entregue com um superavit equivalente a 0,1% do PIB. Apesar de reconhecer que o resultado é pequeno, o chefe do Executivo destacou-o como indicador da seriedade da administração fiscal.

O governo tem até 31 de agosto para enviar o Projeto de Lei Orçamentária Anual ao Congresso, prazo lembrado por interlocutores. O superavit simbólico tende a ser apresentado pela Presidência como argumento político de responsabilidade fiscal, mas também limita a margem de manobra para ampliar despesas sem ajustes em outras rubricas.

Na mesma fala, Lula defendeu maior investimento em educação, com foco em cursos que possam posicionar o Brasil na competição por tecnologia e ciência. O discurso associa a formação técnica e científica ao desenvolvimento econômico e à utilização de recursos de minerais críticos para financiar esse avanço.

O presidente reconheceu ainda uma dívida com os idosos e prometeu implementar uma política nacional de cuidado — centros de referência para lazer, estudo e atendimento — e anunciou que, na próxima semana, pretende zerar a fila do INSS, atualmente em 1,282 milhão de requerimentos pendentes, segundo dados parciais.

Lula criticou o tom da sabatina do Jornal Nacional realizada na quinta-feira, que, segundo ele, não privilegiou o debate de propostas. O descontentamento com o enquadramento da entrevista mostra a preocupação do Planalto em controlar a narrativa sobre futuro econômico e social, enquanto tenta transformar um superavit modesto em selo de responsabilidade.