O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, em convenção do PT em Campinas que oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo, que adversários farão uso da inteligência artificial para disseminar conteúdos falsos na campanha. Segundo o presidente, a tecnologia será usada para inventar histórias e promessas que não serão cumpridas, e as redes digitais terão papel central na disputa estadual.

No evento, Lula também enalteceu a trajetória de Haddad, atribuindo ao ex-ministro ganhos econômicos como redução da inflação, queda do desemprego, recorde de exportações, valorização do salário mínimo e crescimento do país. O discurso busca capitalizar um legado de gestão como argumento de confiança diante do eleitorado paulista.

A declaração acende dois nós políticos e institucionais: primeiro, o desafio para a Justiça Eleitoral e para as plataformas em detectar e conter conteúdo gerado por IA em tempo de campanha; segundo, o risco de que a antecipação desse argumento seja usada para deslegitimar críticas reais da oposição. A disputa pela narrativa promete exigir fiscalização mais ágil e trabalho de checagem jornalística.

Do ponto de vista eleitoral, o alerta de Lula tem efeito duplo: mobiliza a base ao projetar uma ameaça externa à lisura do debate e coloca pressão sobre opositores, que terão de responder a acusações públicas sobre uso indevido da tecnologia. Resta ver se as instituições e a imprensa serão capazes de mitigar os efeitos e preservar a clareza do confronto político nas semanas que vêm.