O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à Rádio Tupi, que o escândalo envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, envolve cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, direta ou indiretamente. Sem citar nomes nem detalhar as supostas relações, o chefe do Executivo disse que o episódio “contamina tudo” e que, antes de qualquer debate sobre mudanças estruturais, é preciso esclarecer as investigações em curso.

A menção explícita a ministros do STF, ainda que sem identificação, acende alerta sobre a confiança nas instituições e aumenta a pressão por transparência sobre a Corte. Lula defendeu que quem integra o Supremo observe padrões éticos elevados — comparou a função a um papel de elevada responsabilidade moral — e repetiu que magistrados não devem buscar enriquecimento enquanto ocupam o cargo. Ao mesmo tempo, reiterou apoio ao papel de Alexandre de Moraes nas ações de 2022 e ressaltou a importância de preservar a democracia; Moraes é apontado como figura central na atual controvérsia, e a Corte avaliará se abre investigação sobre seu suposto envolvimento.

Do ponto de vista político e institucional, a declaração presidencial amplia o desgaste sobre o Judiciário: acusações gerais contra integrantes da mais alta corte sem nomes públicos deixam campo aberto para desgaste reputacional e intensificam a demanda por respostas rápidas das autoridades responsáveis pela apuração. O recado de Lula também coloca no centro do debate a necessidade de mecanismos claros de prestação de contas e transparência dentro do próprio STF, sem, porém, antecipar conclusões sobre culpabilidade.

Além do caso Master, o presidente atribuiu a Jair Bolsonaro parcela da responsabilidade pela origem das irregularidades apuradas e afirmou que as investigações estão sendo conduzidas com cautela. Lula contou ter recebido Vorcaro para um encontro em que o banqueiro se disse perseguido e com dificuldades financeiras, e afirmou que só a investigação poderá definir a regularidade das operações. No mesmo ponto de entrevista, o presidente tratou de segurança pública e anunciou ação conjunta com estados, incluindo aporte de R$ 10 bilhões, mas foi a acusação envolvendo ministros que dominou o potencial político e institucional do pronunciamento — e que exigirá resposta objetiva do Judiciário para conter a erosão de confiança.