O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Barcelona que a decisão de convocar novas eleições na Venezuela é um assunto “da presidente Delcy, do partido dela e do povo da Venezuela”. Questionado durante coletiva ao lado do premiê espanhol Pedro Sánchez, Lula disse ter “muitas preocupações no Brasil” e defendeu que Caracas decida seu destino sem tutelas externas.
A declaração surge em meio à pressão, no próprio país vizinho, por pleito e manifestações em frente à embaixada dos Estados Unidos. Lula ressaltou ainda o desejo de que a Venezuela volte a ser “um país feliz” e afirmou que Delcy assumiu legitimamente após a queda do então presidente, referência à operação que resultou na prisão de Nicolás Maduro e na sua transferência para os EUA, conforme relatos públicos.
O episódio remete ao papel do Brasil em 2024, quando Lula mediou um acordo que previa condições para eleições mais competitivas — compromisso que, segundo observadores e parte da comunidade internacional, foi descumprido por Maduro e resultou em pleitos avaliados como irregulares por falta de transparência e atas completas.
Politicamente, a fala de Lula equilibra prerrogativa diplomática e custo doméstico: ao evitar pressão direta sobre Caracas, o presidente minimiza risco de confronto internacional, mas a postura pode ser criticada pela oposição e por setores que defendem atuação mais firme em defesa da democracia regional. A abordagem acende alerta sobre como Brasília conciliará governabilidade interna e credenciais de mediação externa.