O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à Rede Amazônica na quarta-feira (27/5), que “falta pouco” para a Petrobras confirmar a presença de petróleo na chamada Margem Equatorial — faixa do Amapá ao Rio Grande do Norte alvo de prospecções. A declaração reforça a prioridade do governo em ampliar a atividade de óleo e gás com argumento de desenvolvimento regional, enquanto paralelamente promove um discurso de liderança na transição energética.
Na mesma fala, Lula anunciou que a Petrobras destinará R$ 2,8 bilhões até 2030, sendo R$ 2,5 bilhões direcionados ao aumento da produção de gás no Polo Urucu, em Coari — peça-chave para o abastecimento de Manaus e região. O investimento é concreto e atende a uma demanda real pela substituição do diesel em geradores locais, mas a cifra também evidencia que a agenda energética do governo mistura medidas de curto prazo (gás e óleo) com metas de longo prazo em renováveis.
O presidente destacou o potencial brasileiro para atrair data centers por conta do custo energético e citou interesse de empresas estrangeiras. Ao mesmo tempo, prometeu retomar ações como o programa Luz para Todos, com ênfase em soluções renováveis e recusa ao incentivo de termelétricas a diesel. Há, porém, uma contradição política visível: insistir em novas fronteiras de exploração fóssil enquanto se afirma compromisso com descarbonização abre espaço para críticas sobre coerência e pode provocar resistência de ambientalistas e comunidades locais.
Na prática, o governo tenta equilibrar crescimento econômico regional, segurança energética no Norte e apelo a investidores internacionais. O desafio será traduzir anúncios em políticas com transparência e mitigação de impactos socioambientais, evitando que a retórica pró-renováveis se transforme em justificativa para ampliar dependência de combustíveis fósseis. Em Brasília e nos estados do Norte, a aposta da equipe presidencial já começa a gerar debate sobre prioridades, custos políticos e exigência de garantias ambientais e sociais.