Em ato em São José do Rio Preto (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa das mulheres e criticou a permanência de homens fora das tarefas domésticas. Lula afirmou que, enquanto as mulheres avançam no mercado de trabalho, a violência contra elas segue crescendo, e prometeu um endurecimento no combate ao feminicídio, defendendo punição mais firme aos agressores.

No discurso, o presidente ressaltou a independência feminina e chamou a atenção para a possibilidade de São Paulo eleger duas mulheres ao Senado pela primeira vez, citando as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). A menção às aliadas teve caráter político: reforçar apoios locais e sinalizar base eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

Do ponto de vista estratégico, a fala combina um apelo social — proteção às mulheres — com um recado de ordem pública, numa tentativa explícita de ampliar o eleitorado feminino. A retórica, porém, exige conversão em políticas e iniciativas concretas; promessas de endurecimento sem cronograma ou medidas detalhadas podem não bastar para silenciar críticas sobre eficácia e execução.

A ênfase no tema tem potencial para consolidar votos em segmentos sensíveis, sobretudo em São Paulo, mas também expõe o governo ao escrutínio sobre entregas e continuidade de programas de proteção às mulheres. O impacto real na disputa eleitoral dependerá da capacidade da campanha de transformar o discurso em políticas visíveis e de como adversários explorarão a agenda.