O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista recente à TV Record, que o nível dos candidatos à Presidência em 2026 é inferior ao de disputas anteriores e criticou o protagonismo de perfis voltados a viralizar nas redes. Ao remeter à rivalidade com nomes do PSDB em pleitos passados, disse sentir falta daquele tipo de competição e justificou a decisão de não participar do primeiro debate televisivo citando a ausência de adversários do mesmo espectro político.

A ausência do chefe do Executivo no debate em pool de emissoras — do qual também se ausentaram outros nomes, como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema — foi explicada pela campanha com argumentos sobre a lista de convidados. A campanha reclamou que a emissora incluiu concorrentes de legenda sem quórum no Congresso, como Renan Santos e Zema, enquanto outros presidenciáveis considerados nanicos não foram chamados, o que teria alterado a dinâmica que motivaria a presença de Lula.

A declaração e a escolha por não subir no palco têm efeitos políticos imediatos. Ao depreciar adversários e minimizar a influência digital, a estratégia corre o risco de soar como desprezo por parcelas do eleitorado que se mobilizam nas redes, além de oferecer munição retórica à oposição. Evitar debates protege o incumbente de confrontos e gafes, mas também restringe canais de exposição e pode ser interpretado como recuo diante de regras e formatos que não favorecem sua campanha.

Há ainda um componente institucional e de mídia: a forma como emissoras e pools definem critérios de participação tem sido alvo de controvérsia recorrente. A decisão editorial da TV de incluir certos nomes provoca questionamentos sobre isonomia no acesso a tempo de tela e pode estimular pressão por regras mais transparentes — ou, alternativamente, alimentar narrativas de seletividade instrumentalizada por quem tenta controlar o roteiro das campanhas.

No plano eleitoral, o episódio acende alerta sobre a necessidade de ajuste de estratégia para 2026. Desqualificar candidatos e recusar debates podem reduzir custos imediatos, mas aumentam o desgaste simbólico e complicam a narrativa oficial de proximidade com a sociedade. Se a eleição for também batalha de exposição e gestão de formatos, o presidente terá de equilibrar controle de risco com a obrigação de dialogar, sob pena de ver crescer a percepção de distância e soberba.