No que foi recebido com aplausos da militância, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na convenção nacional do PT um discurso incisivo sobre violência de gênero: “Quem bate em mulher não precisa votar em mim. Vote em quem quiser”, disse. A declaração foi usada para marcar posição ética clara e separar o partido de tolerância com agressões domésticas.

Lula apresentou o tema como responsabilidade social ampla, não apenas feminina, e defendeu o rompimento com a cultura da posse nas relações afetivas. Citou a ampliação de normas de proteção, mecanismos de fiscalização do pagamento de pensão alimentícia e maior monitoramento de agressores sob medidas protetivas, além de interpretar o aumento de denúncias como sinal de confiança nas redes de proteção.

Politicamente, a fala tem duplo efeito: por um lado reforça compromisso com políticas públicas de proteção às mulheres e dá tração moral ao projeto petista; por outro, expõe o risco de custo político entre setores conservadores ou eleitores que se sintam diretamente atingidos pela mensagem. Afirmar que não se importa em perder votos por posicionamento duro pode ser coerente, mas também complica a narrativa eleitoral e exige estratégia para mitigar reações.

O presidente aproveitou o palco para convocar o lançamento do programa de governo em 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, evento que servirá para transformar o discurso em propostas. A declaração marca firmeza no enfrentamento da violência de gênero, mas também acende um debate sobre como equilibrar clareza moral e custo eleitoral na corrida por apoio nas próximas eleições.