O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao programa Sem Censura nesta sexta-feira (22/5), que o crescente interesse internacional por terras raras deve ser tratado como questão de segurança nacional. Segundo o chefe do Executivo, o governo criou um conselho ligado diretamente à Presidência para coordenar a política sobre minerais críticos, numa tentativa de centralizar decisões estratégicas sobre um recurso que ganha importância global.

Lula ressaltou que o Brasil tem a segunda maior reserva conhecida de terras raras no mundo e que apenas cerca de 30% do território foi mapeado em termos de potencial mineral. Com base nesses números, defendeu que o país não repita o padrão histórico aplicado ao minério de ferro — extração e exportação sem agregação de valor — e condicionou o ingresso de capitais estrangeiros à realização de pesquisa, prospecção e industrialização em solo nacional.

A mensagem do Palácio aponta para duas prioridades: proteger a “soberania” sobre recursos estratégicos e usar a exploração para promover indústria e renda interna. Na prática, isso significa combinar política industrial, restrições operacionais e incentivos à cadeia produtiva doméstica. A proposta de criar um fundo social com receitas da exploração remete a modelos já discutidos para o petróleo e busca traduzir ganhos minerais em benefícios distribuídos à população.

O tom igualmente pragmático e cauteloso do presidente inclui abertura a investidores estrangeiros — americanos, chineses, europeus e outros — desde que aceitem as condições brasileiras. Essa postura tenta equilibrar atração de tecnologia e capital com garantias de controle nacional. Mas também acende alerta: exigências rígidas podem atrapalhar negócios, aumentar custo de atração de investimento e provocar atrito diplomático com potências interessadas, sobretudo num contexto de competição por cadeias de semicondutores e tecnologias verdes.

Ao colocar o tema sob a rubrica da segurança nacional, o governo amplia o escopo institucional do debate e complica a narrativa tradicional de liberalização de exportações. A decisão tende a acelerar investimentos em mapeamento e pesquisa, mas impõe um nó prático: transformar mineral em indústria exige infraestrutura, tecnologia e prazos longos. A gestão dessa transição será o teste para a promessa de transformar recursos estratégicos em desenvolvimento, sem sacrificar atração de capital nem gerar ruído geopolítico desnecessário.