Em nova escalada do confronto eleitoral, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) levaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedidos para anular a candidatura adversária, cada qual atribuindo às redes sociais e às ações da Meta papel decisivo no jogo político. O recurso de Flávio aponta para suposta propaganda irregular veiculada por uma conta governamental no WhatsApp; a campanha de Lula, por sua vez, prepara alegação de manipulação algorítmica e interferência da plataforma no segundo turno, segundo fontes consultadas pela imprensa.
A Meta, embora negue ação deliberada de favorecimento, admitiu falhas operacionais — como a desativação de anúncios do petista — e classificou incidentes como técnicos. A empresa afirmou cumprir ordens do TSE para dar tratamento equivalente aos dois candidatos; ainda assim, o Comitê de Supervisão independente detectou falhas recorrentes no tratamento de conteúdo eleitoral no país. O tribunal já determinou prazo curto para comprovação de medidas, sob pena de multa diária próxima de R$ 1 milhão, elevando o custo potencial de uma gestão de crise mal resolvida.
O movimento tem consequências políticas imediatas. Em um cenário de segundo turno tecnicamente empatado, a judicialização das disputas digitais acende alerta e amplia desgaste para ambos os lados: para Lula, o uso de canais oficiais no período eleitoral pode ser enquadrado como abuso de poder; para Flávio, a acusação contra a big tech e a troca de ataques pessoais expõem a campanha a contragolpes narrativos — como o pedido de Lula para divulgação de extratos bancários e telefônicos, destinado a pressionar reciprocidade em prestação de contas.
Além do impacto sobre as estratégias eleitorais, a contenda expõe uma fragilidade institucional: redes privadas com alcance massivo tornam-se árbitros de visibilidade política e forçam o Judiciário a exercer papel decisivo na mediação dos limites eleitorais. O TSE terá de conciliar rapidez e rigor jurídico para evitar que a disputa sobre algoritmos e mensagens privadas vire determinante do resultado, ao mesmo tempo em que preserva regras claras para candidaturas e campanhas.