Com o fechamento do prazo de registros junto ao Tribunal Superior Eleitoral, os dados das candidaturas para a disputa presidencial de 2026 ficaram públicos no sistema do TSE. A partir dessas informações, o Correio compilou um ranking dos políticos com maior patrimônio declarado. Entre os nomes mais conhecidos da corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não aparecem entre os cinco mais ricos.

A lista de maior patrimônio é encabeçada pelo empresário Pablo Marçal (PRTB), com R$ 7.418.372.569,00 segundo o registro disponível — valor que o próprio candidato afirma ser equivocado e já pediu para corrigir ao tribunal. Em segundo lugar aparece Augusto Cury (Avante), com R$ 242.281.162,52, seguido por Wilson Grassi (Democrata), declarado com R$ 50.000.000,00. Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) não registraram bens.

O caso de Marçal reúne duas notas de relevo: além da contestação sobre o montante divulgado, pesa sobre o candidato uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 2025 por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2024, que resultou em inelegibilidade por oito anos — pendência que, na prática, torna sua participação no pleito questionável.

O episódio evidencia fragilidades práticas e políticas do processo: a responsabilidade formal pela declaração de bens é dos candidatos e dos partidos, mas erros ou omissões no registro público geram confusão e abrem espaço para disputas jurídicas e desgaste de imagem. Para o eleitor e para os concorrentes, a divergência entre o que consta no TSE e o que se afirma publicamente tende a virar elemento central de questionamento sobre transparência e controle partidário.