Em evento na Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associou a ampliação do acesso ao ensino superior à autonomia das mulheres. O pronunciamento, dirigido a alunas e servidores, foi complementado pela sanção de uma lei que prevê tornozeleira eletrônica para monitoramento de agressores, integrada ao sistema “Alerta Mulher Segura”.
A cerimônia também serviu para inaugurar a unidade Tamanduatehy, destinada a pesquisas em engenharia, com investimentos de R$ 155,7 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula defendeu ainda o programa Pé-de-Meia, que prevê repasses de R$ 200 a estudantes do ensino médio como incentivo à conclusão do segundo grau, e afirmou que falhar em ampliar a escolaridade seria um custo maior para o Estado.
Do ponto de vista político, a agenda no ABC — a terceira visita oficial do presidente a São Paulo em pouco mais de um mês — combina discurso social com medidas de segurança e reforça presença do governo num estado estratégico, onde o PT já lançou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo. A estratégia busca traduzir iniciativas públicas em mensagens dirigidas a eleitorado feminino e jovem.
No plano prático, a combinação entre medidas simbólicas e investimentos estruturais terá impacto apenas se acompanhada por execução eficiente. A tornozeleira e o sistema de alerta exigem integração das forças de segurança e manutenção dos equipamentos; o incentivo de R$ 200, por sua vez, é modesto e sua eficácia contra a evasão escolar dependerá de implementação e de políticas complementares. Politicamente, o governo pontua compromisso com educação e segurança, mas a avaliação do eleitor dependerá dos resultados concretos.