Correligionários e articuladores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimentam a hipótese de uma visita a Pernambuco entre quinta (17/9) e sexta (18). A ideia, segundo aliados próximos à campanha de João Campos (PSB), é conferir impulso à candidatura num momento em que a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas se mantém apertada. Até agora, contudo, a agenda não foi confirmada pela equipe presidencial.
O esforço ganha sentido diante das últimas pesquisas: levantamento Datafolha divulgado no dia 11 mostrou Raquel Lyra (PSD) com 47% e João Campos com 42%, empate técnico dentro da margem de três pontos. Pesquisa Quaest, do dia 8, registrou percentual semelhante — 43% para Raquel e 37% para João —, com variações pequenas em relação a agosto. Para os aliados do PT e do PSB, uma vinda de Lula poderia ajudar a reduzir a distância e consolidar o núcleo mais à esquerda do palanque.
Ao mesmo tempo, ministros ouvidos pela reportagem descartam que haja movimento do presidente para ‘bater’ na governadora Raquel Lyra: a estratégia oficial busca ampliar apoio sem romper interlocução com a gestão estadual. Esse cuidado expõe um dilema claro para o Planalto — como reforçar o candidato aliado sem desgastar relações com aliados locais que podem ser decisivos em um segundo turno ou em arranjos futuros.
Politicamente, a presença de Lula em Pernambuco tem duplo efeito: pode traduzir-se em transferência de votos a curto prazo e em sinal de força para as esquerdas, mas também corre o risco de provocar reação entre eleitores moderados e aliados regionais se interpretada como interferência direta. Para o comando de João Campos, a visita seria uma resposta à estagnação relativa nas pesquisas; para o Palácio, é uma operação de costura que exige equilíbrio para não complicar a narrativa governista em ano eleitoral.