O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca hoje à tarde para a França para participar da cúpula do G7 em Évian, com reuniões previstas entre amanhã e quarta-feira. Um dos objetivos da viagem é tentar um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora não haja confirmação formal de que a reunião será realizada.

A possibilidade de diálogo entre os dois se baseia, segundo interlocutores, no encontro informal ocorrido em dezembro, durante sessão da ONU na Malásia, quando não houve agendamento prévio. No possível encontro nos corredores da cúpula, Lula pretende questionar Trump sobre as indicações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre novas tarifas a produtos brasileiros.

O Brasil participa do G7 na condição de convidado; além dos sete integrantes, foram chamados países como Coreia do Sul, Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar. A equipe do Planalto sinaliza que a conversa com o mandatário americano, se ocorrer, terá caráter informal e dependerá de janelas na agenda dos dois presidentes.

Antes de embarcar, Lula cancelou a agenda prevista no Mutirão da Mulher, na UBS 1 da Estrutural, e a passagem pelo Hospital Regional de Ceilândia, onde anunciaria investimentos no Programa Agora Tem Especialistas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, supriu a ausência e anunciou repasse de R$ 15,1 milhões ao DF, a disponibilização de 200 implantes Implanon para mulheres já cadastradas na regulação do SUS e investimentos em novos leitos de UTI. O movimento expõe o governo a questionamentos sobre prioridades e gestão do tempo, enquanto as indicações do USTR acendem alerta para setores exportadores e complicam a narrativa oficial de recuperação econômica — a eficácia da viagem será medida pelo grau de clareza e segurança que Brasília conseguir obter quanto às tarifas e ao impacto no comércio.