O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta segunda-feira encontros bilaterais com os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Suíça, Guy Parmelin, em deslocamento entre Genebra e Évian para participar da cúpula do G7. Com Macron, a conversa de cerca de 40 minutos enfatizou cooperação em defesa — com menção explícita ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) — além de temas como integração transfronteiriça entre Guiana Francesa e Amapá e o interesse francês em apoiar o Brasil na área de supercomputadores. Lula relembrou também a criação da Unitaid, organização voltada à ampliação do acesso a medicamentos.
No encontro com Parmelin, ocorrido quando o presidente seguia à França, o foco foi a expansão do comércio bilateral e a diversificação das exportações. Segundo o Planalto, Brasil e Suíça reconheceram que o acordo Mercosul‑EFTA representa oportunidade num contexto global de aumento do protecionismo. As conversas também avançaram para áreas de cooperação em inteligência artificial, energia, saúde e defesa, e o presidente suíço elogiou o Brasil pela organização da COP30 e pelos avanços no combate ao desmatamento.
Lula participa do G7 como convidado entre 15 e 17 de junho, com agenda que inclui defesa do multilateralismo, maior ajuda internacional a países em desenvolvimento e propostas de reforma da governança global em órgãos como ONU e OMC. A participação brasileira também abrange debates sobre crescimento econômico, inteligência artificial e temas transversais da cúpula, como proteção digital de crianças e minerais críticos. No cenário externo, a iniciativa busca contrapor críticas recentes e abrir espaços para parcerias tecnológicas e comerciais.
Do ponto de vista político e econômico, os encontros servem para renovar diálogo e gerar oportunidades concretas, mas também aumentam a pressão por resultados tangíveis. Termos vagos sobre cooperação ou intenções não bastam: o governo precisará transformar as conversas em acordos, investimentos e cronogramas para que a retórica se traduza em efeito sobre comércio, tecnologia e defesa. A interlocução com França e Suíça reforça a estratégia diplomática de diversificação de mercados, mas expõe a necessidade de governabilidade e coordenação interna para aproveitar as janelas abertas no G7.