O governo confirmou nesta segunda-feira (13/4) que enviará ao Congresso um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6x1. A declaração foi feita pelo Secretário-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, momentos antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar medidas que reduzem para 40 horas a jornada de terceirizados na administração pública federal. A sinalização coloca Brasília em novo foco de debate sobre condições de trabalho e modelo de negociação entre Executivo e Legislativo.

A decisão de levar o tema ao Congresso reabre uma divergência pública que surgiu na semana anterior: o então deputado e agora ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, classificou a iniciativa de encaminhar a matéria como potencial fonte de crise quando ainda atuava como líder do governo na Câmara. A mudança de cargo de Guimarães não apagou a diferença de tom entre o Planalto e parte da sua liderança parlamentar, o que eleva o desafio político de costurar apoio parlamentar para um texto sensível aos setores produtivos e às categorias envolvidas.

Além do mérito jurídico e trabalhista, o governo terá de administrar custo político e expectativas. Enviar um projeto que altera rotinas de trabalho — tema caro a sindicatos, empresas e operadores do serviço público — demanda articulação para evitar desgastes com base aliada e interpretações de conflito institucional. A opção pela via legislativa, em vez de medida administrativa ou normativa, dá transparência ao processo, mas também amplia a exposição ao jogo político na Câmara e no Senado.

No curto prazo, a movimentação indica que o Palácio aposta em debate público e na busca de legitimidade parlamentar para uma mudança estrutural. Resta observar como a equipe de articulação irá responder às críticas internas e se conseguirá transformar a proposta em consenso ou em mais um ponto de atrito. O envio formal do projeto será o primeiro teste para medir o alcance político da iniciativa e o grau de disposição dos deputados em discutir a pauta nas vésperas de decisões relevantes para a máquina pública.