O governo federal confirmou a mudança de calendário: o projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6x1 deve ser enviado ao Congresso no início da próxima semana, e não até esta sexta-feira, como havia sido previsto. A alteração foi confirmada ao portal por interlocutores do Palácio do Planalto, que dizem ter intensificado as conversas entre a Casa Civil, o Ministério do Trabalho e Emprego e as secretarias de Relações Institucionais e da Presidência.

Segundo fontes que acompanharam a elaboração, o texto vai manter pontos definidos como inegociáveis pelo Executivo: descanso mínimo de dois dias consecutivos, jornada de até 40 horas semanais e preservação integral do salário. A equipe do Planalto avalia pedir urgência constitucional assim que o PL chegar ao Congresso, mecanismo que reduziria o prazo de tramitação para 45 dias e forçaria uma votação mais célere.

A iniciativa esbarra, porém, em uma questão institucional: o fim da 6x1 já tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara por meio de uma PEC. Antes do anúncio do envio do PL, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia relatado que o Executivo desistira de levar a pauta via projeto com pedido de urgência. Motta defende levar a proposta ao Plenário em maio, o que cria um potencial confronto de agenda entre Executivo e Legislativo.

Além de traduzir prioridade política do Planalto às vésperas das eleições, o movimento expõe desafios de articulação: um pedido de urgência pode acelerar decisões e ampliar pressão sobre deputados, ao passo que a existência da PEC fortalece pontos de atrito e complica a convergência sobre tramitação e conteúdo. O governo busca mostrar resposta ao tema, mas a diferença de caminhos legislativos aumenta a probabilidade de disputa e tensão institucional.