O Palácio do Planalto optou por contornar a provocação pública do presidente argentino Javier Milei, pedindo recuo a ministros que reagiram com ofensas. No domingo, durante evento do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato, Milei dirigiu ataques a Lula e também ao ministro do Supremo, em pronunciamento que levou o governo a classificar o episódio como grave.

A resposta oficial foi conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores: o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e determinou o retorno do embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas. A pasta considerou sem precedentes que um chefe de Estado faça esse tipo de ataque em solo estrangeiro e tratou de formalizar a insatisfação por vias institucionais.

No plano interno, ministros como Dario Durigan e Guilherme Boulos manifestaram publicamente o incômodo antes da orientação para frear a troca de farpas. Durigan criticou a postura do governo argentino e lembrou a fragilidade de indicadores econômicos do país vizinho; Boulos minimizou politicamente Milei nas redes. Lula, diante da imprensa, adotou tom de desdém e evitou inflamar a crise, enquanto assinava acordos com o presidente da Coreia do Sul.

A opção por centralizar a resposta no Itamaraty busca preservar canais políticos e comerciais com um parceiro do Mercosul, mas o incidente acende alerta sobre risco de desgaste bilateral. A escolha do governo revela um cálculo político: atender à exigência de defesa institucional sem transformar o episódio em confronto verbal que poderia ampliar custos econômicos e diplomáticos.